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ago

Boa qualificação, e sem idade.

publicado no Caderno 1.

Com o objetivo de estimular a criatividade e as habilidades práticas com técnicas de artesanato, o Serviço Social do Comércio (Sesc) desenvolve o Projeto “Trabalhos Manuais”.

   Este é um dos 41 programas desenvolvidos dentro do TSI (Trabalho Social com Idosos) oferecido pela entidade.
O público-alvo são os aposentados comerciários ou dependentes, aqueles que tenham vínculo com o comércio e mais de 50 anos de idade. As turmas possuem, em média, 35 alunos e o curso dura um ano. De acordo com a coordenadora do projeto, Anna Maruzia do Nascimento, os objetivos são estimular a criatividade e aperfeiçoar as técnicas já dominadas pelos idosos.

Maria Julia de Freitas se sente realizada com a capacitação em artesanato oferecida pelo Sesc, sentindo que ensina e aprende todos os dias.

   A maioria das peças confeccionadas durante o curso é guardada no próprio Sesc para serem expostas e vendidas no final do ano. Os coordenadores realizam eventos nos quais os mais novos capacitados usufruem do trabalho desenvolvido. Além disso, o Sesc disponibiliza uma feira de artesanato, que é realizada todas as sextas-feiras. Anna Maruzia explica que o intuito é fazer com que os idosos se socializem e gerem renda para si.

A VETERANA REALIZADA

   Dona Maria Júlia de Freitas: oito filhos, dezoito netos e cinco bisnetos. A vitalidade dessa aposentada chega a transbordar pelos olhos. Aos 92 anos e com disposição para o trabalho, ela sempre teve nas artes plásticas o sustento da família. Maria Júlia narra que ficou viúva cedo e, com os filhos pequenos, teve que confeccionar e vender artesanato. Ela até virou professora de artes num colégio da capital, lecionando por muitos anos.
Há 15 anos, a aposentada faz parte do grupo de trabalhos manuais do Sesc.
“Adoro vir pra cá, pois eu ensino o que aprendi e ainda aprendo coisas novas todos os dias”, afirma.

UMA NOVATA CURIOSA

Maria de Lourdes Oliveira faz parte do grupo de aposentados que comprovam que a vontade de contribuir com trabalho não decai com o tempo.

    Marjelina Jocundo é participante da mais nova turma do projeto. Há pouco mais de um ano ela resolveu deixar de lado problemas de saúde e se dedicar aos trabalhos manuais. “Faz pouco tempo que estou aqui, mas já gosto muito desse local. Ajuda nossa cabeça a trabalhar melhor”, confessa. Ela conta que sempre trabalhou com artesanato; os bordados eram a sua paixão. Entretanto, teve a oportunidade de aperfeiçoar antigas técnicas e desenvolver outras novas com o programa. “Aprendo novas habilidades sempre”, ressalta. Os próprios alunos despertam talentos individuais. E é essa entrosação à qual dona Marjelina se refere.

MULHER CONFIANTE: DINHEIRINHO EXTRA

   A profissionalização do trabalho é o que mais chama a atenção duma outra aposentada. Maria de Lourdes Oliveira costuma usar as mãos firmes para garantir a renda familiar. Conciliava o trabalho como costureira às atividades ligadas com o artesanato. Agora, os papéis se inverteram: o artesanato conseguiu lugar de destaque no coração de dona Maria. Mas a remuneração não ficou de lado: “O dinheirinho extra que a gente tira vendendo nossas peças é muito bom, pois ajuda a completar a renda. Só a aposentadoria não dá para todas as despesas”, esclarece.
Além do dinheiro, estes profissionais idosos resgatam suas próprias vidas, em ocasiões abaladas pela idade. “Antes de entrar aqui no projeto do Sesc eu vivia doente”, confessa Maria de Lourdes. A aposentada de 78 anos de idade ainda completa: “Minha vida melhorou 100%”, afirma ao finalizar uma peça.