27
set

Profissionalizar a arte original.

publicado no Caderno 6

             A tradição do artesanato no Ceará teve início com os nativos que habitavam o nosso território no período pré-colonial.

Os produtos criados por artesãos ganham mercados nacionais e internacionais. Profissionalizar a produção garante a valorização da nossa cultura típica, como o recomenda Ana Canafstola , artista do crochê e bordado.

            Com o passar dos anos, as técnicas foram passadas de geração para geração e aperfeiçoadas.

PAISAGENS E TONS

           Do Cariri e do Centro Sul vêm os bordados, trançados em palha de milho, objetos de decoração e utensílios para casa produzidos em madeira, trabalhos em couro e em pele de tilápia. Do Vale do Acaraú, o trançado sobralense em palha de carnaúba. No Sertão Central, pedras semipreciosas são transformadas em belos acessórios de moda. Na região litorânea, as areias coloridas obtidas das próprias praias são transformadas em arte visual dentro de garrafinhas. O litoral também exibe rendas de bilro. As opções são ilimitadas e o artesão entende a importância de organizar a cadeia de produção, exposição e vendas.

 
MÃOS PROFISSIONAIS

           Instalado na antiga Cadeia Pública de Fortaleza, o Centro de Turismo da capital reúne mais de cem lojas de artesanato e dois museus. É num ambiente colorido que trabalha Francisco Rodrigues, artesão com habilidades para criar as famosas garrafinhas de areia. Os detalhes de cada peça simulam cenários pelo Ceará. Francisco aprendeu o ofício com uma vizinha e trabalha com a arte há mais de 30 anos. “Eu gostava de admirar as peças. Aprendi as técnicas ainda garoto. De lá para cá nunca mais parei”, conta. Segundo ele, o artesanato garante o sustento para toda a família. A profissionalização foi importante em sua vida. Os cursos e as oficinas de aperfeiçoamento, para ele, são essenciais nesse processo. “O jovem deve buscar qualificação, não pode menosprezar este tipo de trabalho”, enfatiza.

          A habilidade com as mãos é também evidente em Ana Canafístula. A artista soma mais de 40 anos de amor pelo crochê e bordado. Peças feitas a partir da palha de carnaúba também compõem a vida desta artesã de Santana do Acaraú. “Eu passei num concurso público e trabalhei por 25 anos num banco. Mas nunca abandonei o meu artesanato. É por isso que agora, aposentada, me dedico 100% a minha paixão”, confessa Ana.

          Tanto Francisco quanto Ana fazem parte do Centro Artesanal São Vicente de Paulo, uma associação fundada por ela no bairro Pirambu, que compartilha saberes com novos colegas. “Oferecemos oficinas e ensinamos aos jovens a importância dessa atividade para o Ceará. De vez em quando descobrimos talentos”, diz Ana sem soltar a agulha. “Recebemos muitas encomendas. Mas eu acredito que é necessário mais apoio do poder público. Só assim vamos conseguir mais espaço”, reivindica a artesã. “Ser artesão não é para todo mundo. Além da vocação, é preciso ter dedicação, paciência e procurar capacitação. O mercado de hoje é muito exigente e criterioso, não é fácil se manter nele”, destaca. Segundo Ana, a principal dica para se dar bem nesse mercado é saborear a arte: produzir com gosto e por necessidade.