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Tradutores sem amadorismo.

publicado no Caderno 7

“Mais do que nunca, os tradutores desempenhamos um papel de ‘ponte’ para todos os cantos do planeta, colaborando para uma globalização menos traumática”.

“Hoje, o tradutor é um agente fomentador de cultura e propiciador de grandes negócios” – Cid de Farias Miranda.

    Com essa afirmação, o professor Cid Farias Miranda, diretor da escola de idiomas Yázigi e coordenador de grupos de tradução, descreve a importância da tarefa desempenhada pelo tradutor. E ainda ressalta: “No cenário global, os tradutores e intérpretes têm o papel de atualizar o que acontece mundialmente e em tempo real. A profissão exige muita preparação, mas as oportunidades de trabalho estão presentes e são enormes, sem precedentes”, destaca.

IP: Qual a importância da capacitação e o treinamento deste profissional?
Cid de Farias: A qualificação profissional é essencial. Não há mais espaço para amadorismo. Não se toleram traduções malfeitas, muitas vezes sem conhecimento suficiente em áreas importantes. A capacitação é requisito de vital importância. Os centros de treinamento ainda estão distantes do Norte/Nordeste, concentrando-se bem mais no eixo Sul/Sudeste, mas há especialistas, no próprio Ceará, que estão trabalhando para desenvolver equipes de tradutores competentes.

-Quais são os conselhos para aqueles que desejam seguir a carreira de tradutor?
CF: O primeiro passo é ter fluência na língua, ser bastante proficiente nela. É inadmissível um tradutor que não tenha investido no mínimo 1.200 horas de instrução e estudo da língua-alvo. Há o mito do “já me formei em inglês”, ou “já terminei tal idioma”, quando sabemos que a língua é dinâmica, ou seja, existe uma necessidade permanente de estudar e de se manter atualizado.
Aqueles que desejam ser tradutores profissionais devem fazer cursos de treinamento voltados para vários idiomas e tipos de tradução, dentre elas, a tradução juramentada, que é a forma de codificação oficial para documentos. Quem quiser ser intérprete, não deve ficar apenas no famoso “básico da tradução”, mas buscar centros de preparação que os capacite devidamente, pois a reputação de um tradutor pode se perder facilmente por falta de preparo.


SAIR DA TORRE DE BABEL

      Segundo o professor Cid de Farias, o Ceará encara grandes desafios não apenas em relação aos tradutores, mas, em geral, no quesito ‘atendimento internacional’. “Nossa rede hoteleira, as cooperativas de táxi, aeroporto, os bares e restaurantes poderão passar por grandes dificuldades na Copa do Mundo”, alerta. Segundo o especialista, Fortaleza apresenta agentes com pouca fluência no inglês, os quais trabalham em pontos estratégicos de turismo estrangeiro, o que está estruturalmente equivocado.
“A prática exaustiva faz de um simples tradutor alguém bem preparado para propiciar negócios e introduzir conhecimentos sobre as culturas de outros países. Cada profissional deve assumir uma postura de abrangência internacional, como o trabalho exige: se desempenhar como um intérprete poliglota de classe mundial. Isto deve estar demonstrado na sua permanente capacitação, na sua maneira de lidar com as empresas, os turistas e os colegas de trabalho”, conclui o professor Farias.

SERVIÇO.
Orientações e capacitação sobre idiomas podem ser encontrados em instituições particulares, como o Yázigi Fortaleza. Tel: (85) 4005.4999. O Senac também forma turmas de idiomas. Tel: (85) 3452.7920.