Caderno 4 - Tendências de mercado

31 julho

Amplas opções: Direito – Legislação

Participar de pesquisas, publicar textos e procurar estágios na área pública ou privada: chaves para a inserção no mercado.

Direito

Diante de um cenário econômico desafiador, as empresas continuarão sendo exigentes na hora de ampliar seu quadro de funcionários, optando por profissionais que realmente ajudem na resolução dos problemas, reduzam custos e tragam bons resultados. A preferência
será por profissionais que consigam agregar valor e eficiência ao negócio, e isso se aplica também aos profissionais da área jurídica.
Para Daniel Maia, Doutor em Direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e sócio da banca de Advocacia Cândido Albuquerque
Advogados Associados, o Direito é uma ciência que oferece um leque de opções de carreiras, desde as carreiras públicas, tais como magistratura, promotoria e procuradorias – além das carreiras policiais – até a advocacia privada. No que tange ao trabalho em empresas privadas, o advogado pode executar desde atividades consultivas, assessorando no planejamento tributário e nas questões trabalhistas, como também pode atuar em causas cíveis e criminais que envolvam a empresa, os sócios e funcionários.

O Head do Departamento Jurídico é o responsável por toda demanda jurídica da empresa e, por ser um generalista, vem sendo bastante requisitado em tempos de crise. É fato que as empresas têm cortado profissionais em cargos executivos com alto custo, além de profissionais muito especializados, para substituir por aqueles mais generalistas, e, com isso, concentrar as demandas em um único profissional.

Além disso, o Head do Departamento Jurídico agrega às suas atividades a missão de descobrir brechas na legislação para ‘baratear’
os processos jurídicos da companhia. “São profissionais com tarimba, capacidade de convencimento e de resolução de conflitos e lastro intelectual num mesmo conteúdo individual.

Paga-se menos em quantidade de profissionais, pagando melhor, do ponto de vista individual”, explica Laécio Noronha Xavier,  professor de Direito Internacional Público da Unifor.

SOLUÇÕES

Para Martonio Mont’Alverne, Professor Titular da Unifor e Procurador do Município de Fortaleza, ”a requisição do Head do Departamento Jurídico se dá pela necessidade de que qualquer empresa precisará de boas cabeças para solucionar as crises, enfrentar as adversidades com o mercado e com pessoal. Tudo isso exige capacidade de revisão de conceitos, entendimento com os empregados e adaptação, sem que isso traga perdas para todos os profissionais.

É preciso, mesmo, muita reflexão e preparo”, defende o professor Martônio. Ainda na área jurídico-consultiva, o advogado sênior/ gerente da área de fusões e aquisições, ganha destaque no mundo corporativo, pois, no atual cenário político-econômico, há  uma tendência de que investidores estrangeiros façam aquisições de empresas brasileiras desvalorizadas com a crise. Com isso, a expectativa desse profissional é positiva, tendo em vista o alto volume dessas transações. Para ter essa expertise e garantir um bom
resultado nas negociações para suas empresas, esse profissional deve ter habilidade técnica e experiência em execução de fusões e aquisições de empresas e inglês fluente.

Para o professor Laécio Noronha Xavier, o advogado sênior/ gerente na área de fusões e aquisições precisa ter um certo tempo de mercado, capacitação intelectual e conhecimento de várias áreas, como Direito Administrativo, Empresarial, Tributário, Financeiro e Civil. Outra função em alta em tempos de crise é o Gerente de Contencioso de Volume, profissional da área jurídica responsável por liderar operações que lidam com um alto volume de processos, geralmente em grandes escritórios de advocacia. Esse gerente faz a gestão da contingência processual, analisa e administra os riscos de cada carteira, estabelece as estratégias e coordena a equipe-célula.

Para gerir esse alto volume de processos, o Gerente de Contencioso de Volume precisa, além da técnica, ter habilidade administrativo-
-financeira e estratégica para aumentar a rentabilidade e estar atento aos eficientes resultados, a fim de garantir a manutenção dos clientes.


APRENDIZADO

Para o jovem interessado na área jurídica, o professor Martonio Mont’Alverne aconselha a fazer um curso bem feito. “Participar de pesquisas na área na qual se pretende atuar, publicar textos e procurar estágios na área pública ou privada. E não esquecer do aprendizado de idiomas. Depois, deve aprofundar seus estudos num mestrado ou doutorado. O caminho não é fácil, mas é perfeitamente possível a qualquer um que se dedique”, aponta.

Para o professor Laécio Noronha, “o Direito é o melhor curso para fazer concursos públicos em termos de prestígio e salário, além de se poder ganhar muito dinheiro como profissional liberal. Todavia, o Direito é um mundo de conhecimento.
E suas ferramentas principais são saber falar e escrever. O convencimento é o que separa os bons dos maus profissionais”, opina.
Para o advogado Daniel Maia, a vantagem de quem escolhe fazer Direito é o enorme leque de opções. “Existem muitas carreiras jurídicas que a pessoa pode escolher para seguir. Independente da escolha entre carreiras jurídicas públicas, como a magistratura ou o Ministério Público, ou Advocacia privada, o jovem tem que se dedicar”, avisa o profissional. “Não acredito em sorte, talento, benção ou castigo: acredito em trabalho, estudo, caráter e consequências. O estudante deve se pautar pela pró-atividade, ou seja, não vai cair do céu. Então, desde a Faculdade, ele deve buscar estudar e se destacar mais que os seus colegas. No mercado, há vagas para
todos, o que falta é pessoas realmente dedicadas e obstinadas a vencer”, observa.